Hospedagem e domínios na prática.
Onde os arquivos do site moram. Diferença entre hospedagem estática, dinâmica e CDN; o papel do registrador de domínios e como apontar um domínio para um servidor.
Até aqui, o percurso foi sobre o que acontece depois que um site já está no ar: o DNS resolve o nome, o HTTP transporta os dados, o navegador renderiza a página. Mas há uma pergunta anterior que ainda não foi respondida: onde o site vive? Quem mantém os arquivos acessíveis vinte e quatro horas por dia? E como um nome de domínio comprado em uma empresa consegue apontar para um servidor hospedado em outra?
Essas perguntas fecham o circuito do módulo. Sem hospedagem, não há servidor para responder as requisições. Sem um domínio, não há nome para o DNS resolver. Os dois serviços são separados e complementares, e entender como funcionam individualmente — e como se conectam — completa o modelo mental da web.
O que é hospedagem web
Um servidor web é, no fundo, um computador conectado à internet que roda um programa capaz de receber requisições HTTP e devolver respostas. Tecnicamente, qualquer computador com uma conexão de internet e o software certo poderia ser um servidor — e muitos desenvolvedores fazem exatamente isso localmente, ao rodar npm run dev e acessar localhost:4321. O problema é que esse servidor local só existe enquanto o computador está ligado e o processo está rodando. Para um site público, isso não é suficiente.
É para isso que existem as provedoras de hospedagem: empresas que mantêm servidores em datacenters — galpões com eletricidade redundante, refrigeração industrial, segurança física e conexões de fibra de altíssima capacidade. Você aluga espaço nessa infraestrutura, coloca seus arquivos lá, e o site fica disponível o tempo todo sem depender da sua máquina ou da sua conexão doméstica.
A escolha de qual tipo de hospedagem usar depende do que o site precisa fazer.
Hospedagem estática é o modelo mais simples. O servidor armazena arquivos — HTML, CSS, JavaScript, imagens — e os entrega exatamente como estão no disco, sem nenhum processamento adicional. Quando alguém acessa artigo.dev/introducao, o servidor localiza o arquivo introducao/index.html e o envia. Não há código rodando no servidor, não há banco de dados consultado, não há geração dinâmica de conteúdo. Isso torna a hospedagem estática extremamente rápida, barata e simples de operar.
# Requisição chegou: GET /artigos/dns HTTP/1.1
# Servidor procura: /var/www/artigo.dev/artigos/dns/index.html
# Envia o arquivo como está, com status 200 Hospedagem dinâmica executa código no servidor a cada requisição. O servidor não serve um arquivo que já existe — ele roda um programa que pode consultar um banco de dados, autenticar um usuário, gerar HTML personalizado, enviar e-mails ou fazer qualquer outra coisa antes de montar a resposta. Isso é necessário para aplicações como redes sociais, e-commerce, bancos e qualquer sistema que precise de dados em tempo real ou que varie por usuário.
A hospedagem dinâmica é mais cara porque consome mais recursos: CPU para executar o código, memória para manter o programa rodando, disco para o banco de dados. Plataformas como AWS, Google Cloud e DigitalOcean são o terreno da hospedagem dinâmica.
Este curso ensina frontend estático. Tudo que você aprende aqui — HTML, CSS, JavaScript no navegador — pode ser hospedado estaticamente. Mas o conceito de hospedagem dinâmica vai aparecer quando você precisar de um backend, então é útil entender a distinção desde já.
Domínios e registradores
Um domínio é um nome registrado que pode ser apontado para um servidor. Registrar artigo.dev significa adquirir o direito exclusivo de usar aquele nome por um período — geralmente renovável anualmente.
Esse direito é vendido por registradores de domínios: empresas como Namecheap, GoDaddy, Cloudflare Registrar e, no Brasil, Registro.br para domínios .br. Quando você registra um domínio, o registrador cria os registros NS que dizem ao restante do DNS quais servidores são autoritativos para aquele nome. A partir daí, qualquer pessoa no mundo que consultar o DNS de artigo.dev vai encontrar as informações que você configurou.
O sufixo do domínio — .com, .dev, .org, .com.br — é o TLD (Top Level Domain). Cada TLD tem sua própria política de registro e preço. O .com é o mais universal e reconhecido, administrado pela ICANN. O .dev é controlado pelo Google e requer que o site use HTTPS (browsers modernos bloqueiam HTTP em .dev). O .com.br exige que o registrante tenha CNPJ ou CPF brasileiro, e é gerenciado pelo Registro.br.
A escolha do TLD é principalmente estratégica — o que o seu público reconhece, o que está disponível, e o que faz sentido para a natureza do projeto. Para o desenvolvimento que você vai fazer neste curso, o que importa saber é que domínio e hospedagem são serviços completamente separados: você pode registrar um domínio em um lugar e hospedar o site em outro. O que conecta os dois é o DNS.
Apontar um domínio para um servidor
Quando você contrata hospedagem, a provedora fornece um endereço IP (ou um nome de host) onde o seu site ficará. Para que artigo.dev leve as pessoas a esse servidor, você precisa criar um registro A no DNS do domínio — apontando o nome para o IP.
Esse registro é configurado no painel de controle do serviço de DNS que você usa. Se você registrou o domínio no Cloudflare e está usando o DNS deles, entra no painel do Cloudflare e adiciona o registro. Se registrou em outro lugar mas quer usar o DNS da Cloudflare, atualiza os registros NS no registrador para apontar para os servidores do Cloudflare.
; Registro A: o domínio raiz aponta para o IP do servidor
artigo.dev. 3600 IN A 104.21.45.67
; CNAME: www aponta para o domínio raiz
; (assim www.artigo.dev e artigo.dev chegam ao mesmo lugar)
www.artigo.dev. 3600 IN CNAME artigo.dev. Depois de salvar essas configurações, a mudança não é instantânea. Ela precisa se propagar pela hierarquia de cache do DNS — os resolvers em todo o mundo precisam expirar o cache antigo e buscar a resposta nova. Dependendo do TTL configurado antes da mudança, isso pode levar de minutos a horas. É o fenômeno que desenvolvedores chamam de propagação de DNS, e que torna a troca de servidor mais trabalhosa do que simplesmente mudar um número.
Hospedagem moderna para frontend
Para sites estáticos — que é exatamente o que você vai construir ao longo deste curso — existe uma categoria de plataformas que simplifica radicalmente o processo de publicação. Serviços como Vercel, Netlify e Cloudflare Pages conectam diretamente a um repositório Git e automatizam tudo: a cada git push, a plataforma roda o build, publica os arquivos e atualiza o site.
O fluxo é simples: você conecta o repositório na plataforma, configura o comando de build (como npm run build) e o diretório de saída (como dist). A partir daí, qualquer commit enviado para a branch principal atualiza o site automaticamente. Não há SSH, não há transferência manual de arquivos, não há servidor para gerenciar.
Uma funcionalidade especialmente útil dessas plataformas são os deploy previews: quando você abre um pull request, a plataforma faz o build daquela branch e publica em uma URL temporária. Você consegue revisar e testar a mudança ao vivo antes de mesclar ao branch principal — útil para revisão de código, testes com stakeholders e validação de mudanças de design.
Essas plataformas também incluem CDN embutido: seus arquivos ficam replicados em dezenas de servidores ao redor do mundo, e cada visitante é servido pelo nó mais próximo geograficamente.
A configuração mínima do Vercel é um arquivo vercel.json na raiz do projeto. Para a maioria dos projetos estáticos, ele pode ser vazio ou conter apenas as customizações necessárias:
{
"rewrites": [
{ "source": "/(.*)", "destination": "/index.html" }
]
} Para o Netlify, o equivalente é o netlify.toml:
[build]
command = "npm run build"
publish = "dist"
[[redirects]]
from = "/*"
to = "/index.html"
status = 200 Para um site construído com Astro — o framework deste curso — nenhum desses arquivos é necessário: as plataformas detectam o Astro automaticamente e aplicam a configuração certa. O deploy se resume a conectar o repositório.
Resumo
- Hospedagem é o serviço que mantém os arquivos do site em um servidor sempre disponível; hospedagem estática serve arquivos como estão, dinâmica executa código e gera respostas sob demanda.
- Um CDN distribui cópias dos arquivos em servidores ao redor do mundo, reduzindo a latência para visitantes distantes do servidor de origem.
- Um domínio é comprado em um registrador, que cria os registros NS que dizem ao DNS quem é autoritativo para aquele nome.
- Domínio e hospedagem são serviços separados; o que os conecta é um registro A no DNS apontando o nome para o IP do servidor.
- Plataformas como Vercel, Netlify e Cloudflare Pages automatizam o deploy de sites estáticos a partir de um repositório Git, incluindo CDN e previews por branch.
Qual é a principal diferença entre hospedagem estática e dinâmica?
O que um CDN faz?
Qual é a função de um registrador de domínios?
Como um domínio aponta para o servidor de hospedagem?
Aula concluída
Quase lá.